Se você não estuda em uma das 20 escolas em que fizemos o workshop, segue abaixo o roteiro. Qualquer dúvida, deixe-nos um comentário.
Diego inicia a apresentação em português: Olá me chamo Diego e este é meu sinal, moro em São Paulo - SP e estou aqui com este grupo de Surdos e Alemães e serei seu intérprete hoje. Por favor, guardem as perguntas para o final.
Raquel em LIBRAS: Olá meu nome é Raquel e este é meu sinal, sou formada em Design de MultimÃdia, trabalho com edição de vÃdeo, web-design e design gráfico junto com meu namorado Diego.
Tobias em LIBRAS: Olá, meu nome é Tobias e este é meu sinal, nasci surdo na Alemanha e estudei em escolas especiais para surdos lá. É a minha primeira vez no Brasil e estou amando aqui.
Ellen em português (ás vezes em LIBRAS): Olá, meu nome é Ellen e sou ouvinte e alemã, falo um pouquinho de português, moro em Hamburgo e estou fazendo faculdade para me tornar intérprete de LÃngua Alemã de Sinais (DGS).
Juliane em LIBRAS: Olá, me chamo Juliane (Yuliané) e este é meu sinal, sou ouvinte, alemã e faço faculdade de pedagogia para crianças surdas. Em alguns anos, quando acabar a faculdade, quero ensinar as crianças surdas.
Sebastian em portunhol: Olá, me chamo Sebastian Burguer e este é meu sinal, sou o organizador deste projeto, sou fotógrafo e a cada quatro anos gosto de fazer passeios sobre bicicletas duplas pelo mundo. No último projeto, fizemos o projeto com pessoas cegas e desta vez pensei em fazer o projeto com foco na surdez.
Raquel: Então, nós saÃmos de São Paulo-SP no dia 30 de Agosto de 2009 sobre as 3 bicicletas duplas, descemos a serra até o Guarujá-SP, depois passamos por
Bertioga-SP, São Sebastião-SP, Caraguatatuba-SP, Ubatuba-SP, Paraty-RJ, Angra dos Reis-RJ, Mangaratiba-RJ, Rio de Janeiro-RJ, Maricá-RJ, Saquarema-RJ, Carapebus-RJ, Quissamã-RJ e paramos em Campos dos Goytacazes onde tomamos um ônibus até Belo Horizonte-MG. Mais de 1200Km pedalados em 28 dias. Ufá.
Tobias: Mas qual é o objetivo do projeto? Visitar escolas normais e especiais para surdos e mostrar que a comunicação entre surdos e ouvintes é possÃvel, divulgar o conhecimento da LÃngua Brasileira de Sinais e mais importante, mostrar que os surdos e ouvintes são iguais, que o surdo não é inferior ao ouvinte, só é preciso ter uma boa educação. Vocês podem ver aqui o exemplo da Raquel e do Diego que são namorados.
Diego: Pois é, aqui no nosso grupo a comunicação é ainda mais dificil pois falamos LIBRAS, DGS (lÃngua de sinais alemã), Português, Alemão e Inglês. (O Seba ainda mistura português com espanhol).. Nossa… São muitas lÃnguas e mesmo assim a comunicação é possÃvel. O pessoal passou pouco mais de um mês aqui e já aprenderam o básico da LIBRAS. Uau.
Juliane: Acho muito interessante visitar as escolas aqui no Brasil pois é muito diferente da Alemanha. Na Alemanha os surdos estuandam em escolas especiais separado dos ouvintes. Só quando vão para a faculdade é que há a inclusão e o surdo tem intérpretes.
No Brasil visitamos algumas escolas especiais para surdos, escolas normais com Inclusão onde nem sempre há intérpretes de LIBRAS suficientes para atender a todas as salas, escolas especiais com inclusão onde todos os professores sabem a LIBRAS e ensinam aos alunos surdos e também aos alunos ouvintes, também visitamos algumas escolas regulares onde haviam surdos oralizados que não sabem LIBRAS e que, muitas vezes, não possuem um acompanhamento especializado.
Na Alemanha as aulas começam as 7h00 da manhã e terminam as 14h00 da tarde. Depois não tem mais aula. Aqui no Brasil é muito estranho, aulas de manhã, a tarde e a noite.
Ellen: O nosso dia-a-dia durante o projeto é mais ou menos assim: Acordamos as 5h30 da manhã, tomamos nosso café, enrolamos colchões, desmontamos barracas, organizamos as bicicletas e saÃmos para pedalar. Vamos até encontrar uma escola no caminho quando paramos para perguntar se podemos fazer um workshop e aproveitamso para ver se a escola tem comida para nos oferecer também, risos... Depois do workshop, pedalamos até as 17h30, pouco antes do pôr do sol, procuramos um mercado para comprar comida para a noite e manhã e também um bom local para dormir ou acampar. Se encontramos alguma escola, tentamos fazer um workshop a noite e pedimos para dormir lá. No outro dia, começamos tudo de novo.
Sebastian: O Projeto conta com vários patrocinadores alemãos para os equipamentos e tem a ONG CBM (Christian Blind Mission) como patrono. Essa ONG trabalha e colabora com projetos que ajudem pessoas com deficiência visual, auditiva e etc. Aqui no Brasil o instituto Mara Gabrilli e a empresa de equipamentos para surdos, Koller, colaboraram para a participação dos brasileiros no projeto. Mesmo com esses patrocÃnos, boa parte do dinheiro gasto é particular de cada participante.
Ao final do workshop Raquel e Tobias fazem a demonstração do alfabeto manual e mostram as diferenças da LIBRAS para a DGS. Também ensinam algumas palavras como por exemplo: aprender, amor, obrigado, por favor, desculpa, banheiro, etc e também os números em LIBRAS.
Perguntas Frequentes:
P: Como o grupo se conheceu e há quanto tempo realizam este trabalho?
R: O grupo se conheceu através da internet no inÃcio de 2009 e esta é a primeira vez que realizam um projeto juntos.
P: De onde surgiu a inspiração para este projeto?
R (Sebastian): Quando viajava com os Cegos pela Asia, encontrei um grupo de crianças surdas e mesmo sem saber nada daquela lÃngua, consegui me comunicar com aquela criança com sinais básicos de turÃsta e pensei em realizar o próximo projeto com o elemento da surdez.
P: Qual a idade dos integrantes do grupo?
R: Juliane 22, Tobias 24, Raquel 26, Diego 27, Ellen 27 e Sebastian 29.
P: Como os surdos podem comunicar-se com os cegos?
R: Com a LIBRAS tátil. O surdo faz a LIBRAS enquanto que o cego/surdo-cego segura sua mão para identificar os sinais. É muito interessante.
P: Além do alfabeto manual, existe um sinal para cada palavra?
R (Raquel): Sim, para cada palavra existe um sinal diferente e se não existir ou se você não souber pode usar o alfabeto manual para se comunicar. Existem mais de 1.000 sinais na LIBRAS.
P: O Tobias tem namorada? Juliane tem namorado?
R (Tobias): Não, sou solteiro... ai ai.. Risos..
R (Juliane): É verdade, aqui no Brasil vocês se preocupam muito com essa coisa de namorar. Na Alemanha é diferente. A gente não se preocupa muito com isso.
P: Já foram assaltados, sofreram algum acidente ou ficaram doentes?
R: Assalto não. Raquel e Ellen cairam com a bicicleta duas vezes mas não se machucaram. Sebastiam tomou uma portada do bagageiro do ônibus e teve que ir ao hospital. Diego teve uma indigestão e ficou um dia sem pedalar... Foi de ônibus por 30km levando duas malas e o Seba pedalou sozinho nesse dia. O resto foi tudo bem! Precisa ter pensamento positivo.
P: Como é a acessibilidade para os surdos na Alemanha?
R (Tobias): Se eu precisar ir ao Banco, médico ou hospital, eu agendo um intérprete para ir comigo e o Governo paga para o intérprete. Quanto ao transporte, é igual ao Brasil. O surdos não pagam o ônibus e o trem comum, somente se for trem especial.